quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Sul-americanos se queixam de estilo 'distante' de Dilma

Os países vizinhos têm reclamado do distanciamento da presidente Dilma Rousseff e entendem que seu estilo é ''mais voltado para questões domésticas'' e com ''pouco interesse pela América do Sul'', segundo afirmou à BBC Brasil um ministro do governo do Chile.
Dilma teria sido convidada para uma visita bilateral, mas não atendeu ao convite neste ano, de acordo com um diplomata chileno - informação confirmada por um assessor do governo brasileiro em Brasília.
''Ela não nos dá muita importância, apesar do nosso imenso interesse pelo Brasil e para onde estão indo cada vez mais investimentos privados do nosso país'', disse o representante chileno.
Na semana passada, a ausência da presidente na reunião da Unasul (União Sul- Americana de Nações), em Lima, foi criticada por setores da imprensa peruana.
Em um artigo, o diretor do jornal Correo, Aldo Mariátegui, que costuma ter ressalvas ao Brasil, disse que a ausência da presidente Dilma era ''mais forte'' do que as faltas dos presidentes da Argentina, Cristina Kirchner, e da Venezuela, Hugo Chávez, ao encontro.
''Que o Brasil não tenha comparecido a uma reunião do seu bebê Unasul é muito mais forte'', escreveu.
A ausência de Dilma na reunião da Unasul, em Lima, foi interpretada por alguns setores políticos como possível 'afastamento' devido a questões de interesse do Brasil, como a decisão do Peru de comprar aeronaves militares coreanas e não os aviões da Embraer.
Além disso, especula-se em Lima que o projeto do Gasoduto do Sul, defendido pelo ex-presidente Lula, e sob responsabilidade de empreiteras brasileiras, seja substituído por outro, que poderia não garantir a presença brasileira.
Visita relâmpago
Na semana passada, a presidente Dilma esteve em Buenos Aires, onde participou do encontro empresarial da União Industrial Argentina (UIA). Foi a quarta visita da presidente à Argentina desde que chegou ao Palácio do Planalto.
No entanto, entre alguns empresários, temia-se por sua ausência. 'Vai ser a presença dela que dará peso ao nosso encontro. Por isso, nossa expectativa é imensa, e esperamos que ela não tenha nenhum imprevisto', disse um empresário argentino, horas antes do evento.
Dilma realizou uma visita relâmpago, que durou cerca de quatro horas, mas durante as quais fez um discurso que teve ampla repercussão na imprensa do país.
Na ocasião, ela propôs que os empresários argentinos participem dos investimentos no Brasil na área de infraestrutura, que está sendo preparada para receber a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016 no Rio de Janeiro.
Ausências
A reunião da Unasul foi realizada no dia 30 de novembro, dois dias após a reunião na Argentina. No dia seguinte, a ausência de Dilma também foi sentida na posse do presidente do México, Enrique Peña Nieto

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